Período de final de ano, encerramento
de período escola, temporada de competição e férias para a maioria das pessoas,
morando num país de hemisfério sul com clima tropical predominante, temos o
verão nos esperando com temperaturas médias acima dos 30°C, período de festas
de confraternização e a alimentação condicionada às delícias natalinas e
comemorações de trabalho, colegas e familiares, com este período encerra-se
também os treinos mais severos para atender demandas de calendário de
competições, ou seja:
- Redução de gasto calórico dos
treinos para alguns
- Aumento de ingesta de calorias
variadas não comuns à dieta
Pode ser um caminho sem retorno para
muitos atletas amadores e encerramento de carreira em função disto, porém
primeiramente vamos tentar entender o que se passa em nosso organismo com a
redução ou parada total de treinamento em períodos semanais e o que se mantém
por mais tempo:
Segundo MUJIKA 2001, existem
efeitos diferentes entre quem está altamente treinado, quem é recentemente
treinado e quem é medianamente treinado (seria o caso da maioria de nossos
atletas), vejam o que diz:
“Destreinamento
pode ser definida como a perda parcial ou completa da formação induzida por
adaptações, em resposta a um estímulo de treinamento insuficiente. Destreinamento
é caracterizada, entre outras mudanças, por alterações acentuadas no sistema
cardiorrespiratório e os padrões metabólicos durante o exercício. Em
atletas altamente treinados, treinamento insuficiente induz um rápido
declínio no O 2max, mas permanece acima dos valores de controle. Frequência cardíaca no exercício
aumenta de forma insuficiente para contrabalançar uma rápida perda de volume
sanguíneo, volume e débito cardíaco máximo são reduzidos. Dimensões cardíacas também são reduzidas,
bem como a eficiência ventilatória. Consequentemente,
a desempenho de endurance também é bastante prejudicada. Estas mudanças são mais moderados em
indivíduos treinados recentemente no curto prazo, mas se recentemente adquiriu
O 2max os
ganhos são completamente perdidos após períodos de
treinamento e paralisação por mais de 4 semanas. Do ponto de vista metabólico, mesmo a
inatividade de curto prazo implica uma dependência crescente de metabolismo de
carboidratos durante o exercício, como mostrado por uma maior relação de troca
de exercícios respiratórios. Isto
pode resultar de uma sensibilidade à insulina e GLUT-4 proteína transportadora,
juntamente com um músculo na atividade da lipoproteína lipase baixou. Essas alterações metabólicas podem
ocorrer dentro de 10 dias de
cessação de treinamento. Concentração
de glicogênio muscular em repouso retorna à linha de base dentro de algumas
semanas sem treinar, e o limite de lactato em atletas treinados é reduzido
também, mas ainda permanece acima dos valores dos não treinados.”
Traduzindo o texto do inglês alguns termos ficam
um pouco difíceis de entender para leigos, porém fica claro que alguns ganhos
permanecem apesar de total inércia ao movimento, portanto o destreinamento que
melhor seria indicado para a conservação melhor de alguns fatores seria a
alternância das articulações usadas no esporte (no caso dos nadadores seria articulação
do ombro), ou seja, quem nada deveria correr para evitar uma maior queda, ou outro
tipo de esporte/exercício físico que ofereça ou mantenha ao mínimo os ganhos
obtidos com o treinamento ou alto treinamento.
Nunca é bom para quem treinou (principalmente em
alta qualidade) reduzir ao nível zero seu repertório de exercício (LÓPEZ
CAZÓN 2008), pois como seu organismo possui muita sensibilidade
à insulina o ganho de peso rápido é quase inevitável, como também entrar em
grupo de risco cardíaco por este ganho rápido. A preocupação dos técnicos com
seus alunos/atletas (neste sentido) deveriam ser maiores em oferecer/informar
mais opções de escolha para manutenção mínima de estado saudável, alternância de
exercícios diferenciados do quotidiano em natação, também é uma forma do aluno/atleta
conhecer e ampliar seu engrama motor (AZEVEDO
et al 2010 - http://www.efdeportes.com/efd140/imagetica-motora-na-performance-esportiva-de-futsal.htm), fornecer economia de movimento, promoção de
rendimento, quebra de rotina e motivação.
REFERÊNCIAS:
- MUJIKA I.; PADILLA, S.
Muscular characteristics of detraining in humans. Med Sci Sports Exerc. 2001
Aug; 33(8):1297-303.
- LÓPEZ CAZÓN, Rodolfo. Efeitos do processo de
destreinamento sobre a saúde de ex-atletas de alto rendimento. 2008. 101 f.
Tese (Doutorado em Ciências da Saúde)-Universidade de Brasília, Brasília, 2008.
- AZEVEDO, PAULO ALEXANDRE et al, A influência da
imagética motora na performance esportiva de atletas de futsal. http://www.efdeportes.com/
Revista Digital - Buenos Aires - Año 14 - Nº 140 - Enero de 2010.
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